Tuesday, March 27, 2007

Rock e sofisticação


BAR METRÓPOLIS
LOCALIZAÇÃO: Av. Paulista, nº 2668
INFORMAÇÕES: (11) 3255-1225 / 3258-0787

O grande diferencial do Bar Metrópolis é o seu requinte. Localizado na nobre avenida Paulista, a casa de rock oferece música ao vivo com uma infra-estrutura inexistente nos demais bares do gênero. O palco da casa é espaçoso e bem iluminado, a pista é extensa, possui dois andares e muitas mesas e cadeiras, diferente do padrão em bar de rock. Conta ainda com banheiros limpos e azulejados nos dois andares, piso em todos os ambientes e uma varanda no segundo andar. Para melhorar o conforto, o bar possui ar condicionado, em temperatura até abaixo da necessária.
Iniciou suas atividades em 1986, e apostou na música ao vivo a partir de 1992, trazendo bandas cover de rock clássico, pop, flash back etc. A faixa etária do público também se destaca das convencionais casas de rock, sendo freqüentada por pessoas mais velhas, entre 25 a 45 anos. Uma das razões é que o bar (realmente) impede a entrada de menores de 18 anos conforme manda a lei. O outro motivo que peneira a idade dos freqüentadores é a seleção musical, que dá preferência para os grandes clássicos do rock.
O Metrópolis também oferece um vasto cardápio, fugindo da mesmice da porção de fritas e cerveja barata dos bares de rock. É possível comer porções de variados tipos de queijos, anéis de cebola com molho tártaro, beirute de filé mignon, carnes, peixes como abadejo e até uma refeição de fetuccine com molho branco e champignon. As opções de bebidas são ainda mais diversas, desde água tônica Schweppes até whiskies importados em dose ou garrafa como Dimple (15 anos), passando por refrigerantes, cervejas, chopps, licores, e vinhos nacionais e importados.
O bar é um exemplo claro de bom gosto e sofisticação, ideal para quem aprecia rock’n’roll sem abrir mão de uma boa acomodação e gastronomia.
Funciona de terça a sábado das 18 horas até o último cliente. Dispõe de estacionamento terceirizado com seguro por R$ 9 e aceita todos os cartões de crédito.
Como nada é perfeito... o bar não possui um controle da sua lotação, e é impossível andar sem incômodo extremo antes das 3 horas da manhã. É adepto do lema “quanto mais gente melhor”. Evidentemente, para o lucro da casa.

Monday, February 19, 2007

DOGVILLE


Direção: Lars Von Trier
Gênero: Drama
Duração: 177 min


A irreverência do diretor começa pelo cenário: apenas um palco marcado por riscas no chão, que sinalizam as supostas casas dos moradores. Poucos elementos configuram o “cenário”, como os bancos no local onde ocorrem as reuniões impostas pelo presunçoso Tom Edison (Paul Bettany), que se considera o único com capacidade de análise dos demais moradores. Tom é filho do médico Tom Edison Sr. (Philip Baker Hall), desfrutando uma condição social privilegiada de não precisar trabalhar e poder dedicar-se à sua carreira de escritor, que nunca acontece de fato.
A chegada da fugitiva Grace (Nicole Kidmann) na pacata Dogville muda o rumo da vida de Tom e de todos os moradores, inclusive dela própria. Com uma origem burguesa, Grace é a síntese da elite na grande depressão de 29, obrigada a trabalhar para conseguir um refúgio numa cidadezinha rural.
Grace é dominada pelos moradores na tentativa de cativá-los para ser aceita na cidade, sofre estupros e traição de Tom, que jurava amá-la. Ela pertence à classe burguesa que em suas teorias sociais sempre tentam justificar os comportamentos das classes baixas. Mas ao ser protagonista de um drama nas mãos de gente bruta, Grace assume um comportamento tipicamente burguês que tanto condenava em seu pai. Uma de suas vinganças contra os filhos de uma moradora mostra a transformação de uma personagem idealista em uma pessoa hostil e fria.
A história fica por conta de um narrador e da imaginação do telespectador. O drama está na poesia dos fatos narrados e interpretados em um pequeno espaço. A angústia de Grace em não conseguir deixar o local é vivido pelo telespectador, preso ao cenário pequeno e ansioso em descobrir e imaginar o que haveria além daquele palco. É como um pesadelo asfixiante.
Um filme original e sublime sobre luta de classes e nivelamento da burguesia com as classes baixas na crise de 29, mas sob uma ótica completamente distinta e subliminar. Para quem percorre todas as fileiras da locadora em busca de um filme fora do senso comum, esse é uma ótima sugestão.

Monday, November 27, 2006

Big coletânea com preço acessível


O Mr. Big não é uma banda pra coletâneas: suas excelentes obras merecem destaque na discografia de qualquer fã de rock bem tocado. Até porque a banda lançou apenas 6 discos em estúdio, contra 7 ao vivo, 2 singles e 2 coletâneas. Logo, todo fã de hard rock deve possuir pelo menos seus discos principais.
O grupo, que teve a rara oportunidade histórica de tocar com dois deuses da guitarra - Paul Gilbert e Richie Kotzen - se dissolveu em 2002 deixando saudades. Isso confirma a máxima de que tudo que é bom dura pouco. Pouquíssimo, no caso: a banda lançou seu primeiro album pela Atlantic Records em 1989 e o último em 2002, o disco ao vivo "In Japan". Contava ainda com Eric Martin nos vocais, o baixista favorito de Stevie Vai, o Billy Sheehan, e com Pat Torpey na bateria, que já tocou no Duran Duran, mas é um escolado em jazz e latinos. A mistura só poderia resultar num grupo fantástico.
Pra aliviar a tristeza dos fãs brasileiros, a Warner lançou uma coletânea nacional capaz de agradar os fãs da fase Gilbert e seu peso de "Addicted to That Rush" até as mocinhas mais românticas com "To be with you". Não faltam sucessos (como se alguma música do Mr. Big não fosse um sucesso) como Just Take my heart, Take Cover com seu ritmo instigante, Colorado Bulldog com sua levada heavy metal à la jazz na condução e seu solo de tirar o fôlego, Superfantastic, Shine e até a furadeira Daddy, Brother, Lover, Little Boy. Mas a coletânea não é, em momento algum, uma salada mista de mau gosto, como acontece com alguns Greatest Hits. O Mr. Big sempre teve uma linha clara de virtuosismo, musicalidade e expressão hard rock, e mesmo na balada enxuta Green-Tinted Sixties Mind, é notável a preocupação com técnica, com contratempos elaborados e compassos em 5/4. Bem diferente dos grupos atuais!
A única falha da gravadora foi não colocar uma foto sequer do guitarrista Kotzen no encarte, não pela sua estonteante beleza de cinema, mas pelo seu merecido lugar no grupo. O ex-Poison mostra sua musicalidade em Dancin' With My Devils e não deixa a desejar.
Seus integrantes continuam na tentativa de trilhar caminhos tão "big" quanto o grupo. A corrida da virtuose está aberta, e o lançamento de discos solos parece que não será tão breve quanto foi a banda: o vencedor é Richie Kotzen e está no seu 14º disco, Into the Back, na busca interminável de definir quem ele é como artista. O último disco de Eric Martin também foi lançado no Brasil, intitulado "Destroy All Monsters". A carreira solo em ascensão de cada integrante soterra cada dia mais a esperança dos fãs de ver reunida uma das maiores bandas dos anos 80, embora o trabalho individual desses mestres também mereça atenção.
Mas o melhor de tudo no disco é o seu preço. Fãs acalorados do Mr. Big, acostumados a desembolsar generosas quantias pelos seus albuns importados, ficarão boquiabertos ao saber que tanto sucesso foi reunido por míseros R$ 25 na galeria do rock, em sampa. Sem dúvida, uma surpresa pra quem já nem estranhava a faixa de valor de R$60 a R$150. Pra quem sempre preferiu baixar as músicas pela internet em coletâneas caseiras por conta do preço, essa é a chance de levar pra casa um disco do Mr. Big.